“Todas as noites eu rezo pra Deus pedindo desculpas pelo meu sofrimento mesquinho, menor. Tanta mãe que perdeu filho, tanto trabalhador que perdeu casa em enchente, tanto jovem que perdeu braço e perna, tanto cego e tanto pobre, tanta criança pedindo esmola de pés descalços, tanto desempregado humilhado, tanta gente pedindo dinheiro emprestado para não ter a luz cortada, tanta mulher que foi deixada depois de vinte anos de credulidade no amor e que ficou com os três filhos pra criar, pra sustentar, pra explicar, tanta gente chegando aos 70 anos, aos 80, olhando pra trás e não vendo sentido em nada do que foi vivido, se deparando com o tempo desperdiçado, e mesmo assim eu rezo e ocupo ainda mais a agenda do Senhor por causa de um traste que me trocou por outra sem me deixar filho nem despesa, sem me deixar aleijada ou sem teto, apenas me deixou, apenas me deixou, apenas isso. Pai de todos, tão atarefado e ainda tendo que se ocupar comigo, logo eu que nunca lhe dei crédito antes, pecadora por desprezo e falta, eu que nunca precisei, mas que agora ajoelho e imploro por bênção: Deus, Pai, Senhor, seja você quem for, tire esse homem do centro das minhas atenções.”
“Amor pra mim é quando nossos olhares se cruzam e se falam. É quando nossas mãos se entrelaçam como se estivessem atraídas por imas. É quando o nosso beijo transparece cuidado. É quando sinto necessidade de ficar junto. É quando meus sonhos são feitos de carinhos dele. É quando um sorriso meu se abre automaticamente quando penso nele. É quando nos abraçamos e protegemos a alma um do outro. É quando bate aquela vontade de cuidar, de cuidar e cuidar muito dele. Amor quando é amor não deixa de ser amor quando brigamos por coisinhas miúdas, ou por quando eu ou ele sentimos ciúmes e até mesmo quando eu não quero beijinhos. Amor é amor. Sem restrições. Sem desigualdade. Só amor, carinho e muita amizade.”
“Era isso que eu queria: reações. Agora sim ela parece a minha garota de 1999. Bufando, me mandando ir embora, chorando de amor e ódio, cheia de ciúme, vibrando, pulsando, me jogando coisas, as sobrancelhas circunflexas, aquele veiazinha saltando nas têmporas. Enfim, é assim que eu gosto de vê-la: sentindo. Hoje é ira e desprezo. Amanhã é paixão e carinho. Quem é capaz de explodir de raiva, também é capaz de explodir de amor.”
“Não briguei mais por você, porque ter você seria muito menos do que ter você. Não te liguei mais, porque ouvir sua voz nunca mais será como ouvir a sua voz. Não te escrevo porque nada mais tem o tamanho do que eu quero dizer. Nenhum sentimento chega perto do sentimento. Nenhum ódio ou saudade ou desespero é do tamanho do que eu sinto e que não tem nome. Não sei o nome porque isso que eu sinto agora chegou antes de eu saber o que é. Acabou antes do verbo. Ficou tudo no passado antes de ser qualquer coisa.”
“Eu tenho um milhão de motivos pra fugir de pensar em você, mas em todos esses lugares você vai comigo. Você segura na minha mão na hora de atravessar a rua, você me olha triste quando eu olho para o celular pela milésima vez, você sente orgulho de mim quando eu solto uma gargalhada e você vira o rosto se algum homem vem falar comigo. Você prefere não ver, mas eu vejo você o tempo todo.”